domingo, 12 de setembro de 2010

Adoecer-se e Curar-se - Duas faces da mesma moeda.

Quando comecei a estudar a visão da psique segundo Jung me encantei com a noção de que a doença mental era uma tentativa malfadada de obter a cura. Esta afirmação guarda em seu cerne a idéia de que na verdade o ser humano não procura a doença e sim a cura, a saúde. Os desvios encontrados neste caminho é que conduzem à doença.
Este pensamento também é válido para doenças físicas (se é que há separação entre físico e psicológico e espiritual). Muitas vezes vejo casos quase corriqueiros de pessoas que adoecem a si mesmas. Pessoas que estão sempre correndo todos os dias, que não conseguem recusar compromissos ou delegar tarefas, que por isso dormem pouco se alimentam mal e etc, sempre se negando a ouvir os conselhos dos amigos e os sinais do próprio corpo para parar. E o que acontece? Do nada a pessoa cai doente, e finalmente consegue não fazer nada. Incrível? Nada disso.
Para exemplificar usando um caso extremo, até mesmo aquele que tenta acabar com a própria existência está de fato procurando a cura para a dor insuportável que se tornou a vida. Já ouvi falar de pensamentos materialistas a respeito da existência humana afirmarem que quando a pessoa chega a atentar contra a própria vida é porque de fato compreendeu que a vida é sem sentido. Mas eu sempre achei esta afirmação o cúmulo do desvio na busca da saúde, a doença em mentes que deveriam trazer a cura. Por isso a visão de alguém que acredita no sentido da existência humana jamais poderia pender para este lado. Se tudo faz sentido, então há uma saída. Se refizermos o caminho da doença, pelo mesmo caminho podemos trazer a cura.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Paciência

Paciência é algo sublime. E intuitivamente todos sabem disso. Tanto que a palavra costuma vir quase sempre em expressões como: Santa paciência, Deus me dê paciência e etc. E uma pessoa que é reconhecida como paciente pelos demais, é vista como alguém dotada de uma qualidade superior ainda almejada para os reles humanos medianos.
Creio que estamos no mundo para aprendermos a ter paciência, pois não há algo que seja mais testado no nosso dia a dia do que a paciência, desde a fila no banco até a chegada do amor da sua vida; do nascimento até o fim da dor de um luto; do jardim de infância até a faculdade; do sinal que custa a abrir até a promoção no emprego; do técnico da internet ao telefonema do namorado(a); do esmalte que não seca até o filho que demora a chegar; de ser paciente de um psicólogo até receber um paciente no consultório; da pergunta "O que eu estou fazendo aqui?" até a clareza na consciência que nos permitirá compreender tudo isso.
Até lá haja paciência.
Ou Melhor, aja com paciência.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Criança também é gente.

Quando ouvimos a frase acima logo nos vem a mente a necessidade de considerarmos mais os direitos e as vozes das crianças como pessoas que embora ainda muito jovens, também merecem ser tratadas como gente na plena acepção do termo. Ok, concordo com tudo isso em gênero número e grau. Mas hoje quero analisar esta frase sob outro ponto de vista.
Criança também é gente em todos os pontos de vista, inclusive aqueles que não são positivos. Esta semana chegaram a mim vários casos envolvendo crianças e suas relações com pais, familiares e colegas.
Crianças, guardadas as devidas proporções, estão sujeitas a toda a gama de sentimentos que acometem os adultos. Crianças também são capazes de manipular pais separados, segregar colegas (Bulling) , roubar, fofocar, difamar, manifestar libido deturpada e etc.
Credo!!! Podem pensar alguns que preservam uma imagem excessivamente cândida dos pimpolhos.
É claro que muitas manifestações negativas por parte das crianças vem acompanhada de uma grande dose de ingenuidade, mas ser ingênuo e inocente não deve ser confundido com ser puro e angelical. A imagem exacerbada das crianças como anjos caídos do céu pode prejudicar e muito o relacionamento e a educação, pois os adultos se sentem traídos e decepcionados, não enxergando os fatos com mais imparcialidade e agindo com temperança para corrigir as crianças.
Pais são pais não apenas para prover o sustento, mas principalmente para orientar e reorientar o que as crianças já trazem dentro de si e o que por ventura (ou desventura) é absorvido por ai. E não se assustem com o fato de estar afirmando que as crianças já trazem uma história. A noção de que uma criança apenas vai apresentar aspectos herdados dos pais, seja por convívio ou por genética, é uma sombra do materialismo que negando a vida espiritual teve que afirmar o fato de que todo ser humano nasce como uma folha em branco que será simplesmente moldada pelo meio.
Quando se tem uma visão espiritualista da vida fica fácil compreender que cada pessoa já nasce com uma história, por isso são diferentes. O que a pessoa já traz é unido ao que ela aprende com o meio e isso é o que forma a personalidade. É fácil constatar o quanto até mesmo irmãos gêmeos podem ser diferentes um do outro desde os primeiros dias de vida. Por isso encontramos histórias de pessoas que mesmo crescendo em meio a perversidade conseguem manter a íntegridade. Infelizmente o inverso também é verdadeiro...
Devemos olhar nossos filhos como gente, sem medo, sem sustos, para podermos ajudá-los a se tornarem pessoas melhores. Por isso temos pais, e por isso somos pais.

sábado, 14 de agosto de 2010

O filme "A Origem" e a noção de inconsciente em Jung

Ontem fui ver o filme "A Origem". Estava impedindo que me contassem algo para que me sentisse surpresa ao ver o filme, cujo tema muito me interessa: sonhos. Portanto quem ainda não viu pode ler o post depois.
Não foi muito bem o que eu esperava, mas de fato eu não sei se esperava muita coisa ou se eu apenas esperava que tivesse algo mais a ver com o que realmente considero como sendo a profunda razão e função dos sonhos: a transcendência.
No filme o sonho é mostrado como uma função praticamente restrita a biologia, que devido a profundidade pode influenciar a mente. O sonho dá acesso ao inconsciente, mas apenas se restringe ao inconsciente pessoal, o inconsciente freudiano, no qual são guardados os nossos sentimentos, pensamentos e desejos mais obscuros, difíceis de admitir e lidar. Ele existe? Sim, claro que sim. Mas os sonhos também podem ser mais do que meras reconstruções de fragmentos inconscientes. Tudo depende da visão de ser humano que desejamos expressar. Se queremos passar a idéia de que somos apenas seres biológicos sem transcendência, e que tudo é fruto de fragmentos assumidos ou não, do mundo "real" e nada mais, não há mesmo como sequer vislumbrar que sonhos sejam mais do que foi demonstrado no filme. Os sonhos seriam assim apenas labirintos sem saída, pois não há nada além. É um meio do caminho um morrer na praia, pois seguindo esta visão, ao aprofundar-se em si mesmo só resta ao ser humano se conformar com o fato de que a vida é um beco sem saída e que para a frustrações e os erros não há mais solução.
Realmente. Para quem não vislumbra a capacidade do ser humano transcender a si mesmo, a vida não tem saída. O verdadeiro propósito de aprofundar-se em si mesmo, é encontrar lá o "self" que segundo Jung é o nosso centro mais profundo e que por isso mesmo nos faz transcender toda a realidade limitada que a estreita visão materialista nos impõe.
Os sonhos podem cumprir a função não de nos aprisionar, mas de nos libertar, mostrando que há a nossa volta uma realidade que é maior que nós mesmos, e que nos liga a tudo e a todos.
A noção de inconsciente de Jung não se limita a restos diurnos, o inconsciente em sua forma mais ampla é o gerador da "realidade", da consciência. Segundo o autor, o que chamamos de consciência é um ínfimo pedaço do grande inconsciente que conseguimos assimilar.
A unica questão levantada pelo filme que me chamou a atenção, foi o fato de considerar a possibilidade de que na verdade o nosso mundo possa ser apenas um sonho, uma ilusão. é uma idéia que está no ar e que já foi muito melhor trabalhada em filmes como Matrix. Em Matrix trabalhou-se a noção de "maia", o mundo de ilusão do qual temos que nos libertar para chegar a verdade, é baseado na transcendência espiritual, enquanto A Origem é baseado no caminho que leva a psicose.
Mas os efeitos especiais são bem legais...
Beijos.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Quando nem tudo é como esperamos.

Se você pertence à categoria dos seres humanos, assim como eu, sabe que em algumas ocasiões - para não dizer muitas - as coisas não acontecem exatamente como esperamos ou queremos.
Mas enfim, o que fazer nas horas em que bate o sentimento de que tudo está dando errado, "não foi bem isso que pensei", eu mereço mais e etc?
Bem, vamos por partes:
1- O mais comum é encontrarmos um culpado para a nossa situação. Embora não seja fácil, procure pensar em como você afinal de contas se envolveu com a pessoa em questão, e verá que no final das contas foi uma questão de escolha sua. Se na falta de uma pessoa de carne e osso para culpar estiver culpando Deus, esta é mais furada ainda. Se você já sabe a respeito da existência de Deus, sabe que ele é apenas justo e dá o que cada um merece. Se não pode entender isso é porque ainda não entendeu quem é Deus.
2- Feito isso, você já pode sair da posição de coitado, de vítima, pois como já disse outras vezes, vítima é aquele que não pode fazer nada, que se deixa a mercê dos outros.
3- Repense suas escolhas. Se somos responsáveis por nossos atos, não somos coitados. E se fizemos escolhas erradas que nos fizeram sofrer, podemos também fazer escolhas melhores que nos darão bons frutos.
4- Se estivermos falando de situações irreversíveis como a morte, procure se conformar e aprender mais a respeito dos eternos ciclos de morte e vida do qual não podemos fugir. Se não for, acredite que tudo tem jeito. E se não é do jeito que queremos, talvez não estejamos enxergando muito a respeito do que realmente precisamos.
5- Sempre aprenda com o que deu errado para não sofrer novamente. Toda situação difícil guarda em si uma lição valiosa, se não a compreendemos ela terá que voltar.

sábado, 24 de julho de 2010

Sonhos 2

Desculpem a demora, mas antes tarde do que nunca, voltarei a falar um pouco e respeito dos sonhos.
didaticamente, podemos entender que existem 3 tipos de sonhos, o que facilita o seu entendimento.
Existem sonhos que se resumem a resquícios da vida em vigília, da nossa vida diurna. Coisas das quais não conseguimos nos desligar, como contas para pagar, provas, notícias ruins, uma viagem muito legal e etc. Não há muito o que interpretar.
Um outro tipo diz respeito basicamente aos nossos processos psíquicos individuais, são mensagens enviadas de nós para nós mesmos, do inconsciente para o consciente a respeito de sentimentos e processos profundos muitas vezes desconhecidos ou propositalmente ignorados. Podem também funcionar como verdadeiros bálsamos curativos, realizando em um outro plano desejos e necessidades psicológicas que não estão sendo supridas no dia a dia. Uma pessoa carente de amor ,por exemplo, pode sonhar que recebe um abraço da natureza, de uma pessoa desconhecida ou algo parecido.
As duas primeiras categorias tem em comum o fato de serem fruto quase exclusivo da nossa psique individual.
E temos também aqueles sonhos que assim por bem dizer, não são apenas fruto da nossa psique, são mensagens captadas de uma outra outra esfera, o inconsciente coletivo, que podem trazer em sonhos fenômenos como premonições, conhecimento de fatos que ocorrem enquanto estamos dormindo, mensagens recebidas de um ente falecido e etc.
Obviamente nem todos acreditam que este terceiro estágio possa de fato ocorrer, preferindo ficar apenas com os dois primeiros casos. O que ao meu ver restringe bastante a compreensão deste fenômeno tão rico. Observar o sonho em várias esferas, nos mostra o quanto podemos ser únicos e ao mesmo tempo em que fazemos parte de um todo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sonhos

"Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda"
C. G. Jung
Esta é uma das frases mais famosas de Jung, e o assunto sonho possui vários desdobramentos, dos mais práticos aos mais filosóficos. É um dos mais fantásticos e intrigantes fenómenos psíquicos, e sem dúvida alguma a principal via de comunicação entre o inconsciente e o consciente, daí vem o seu encanto. Como muitas pessoas adoram saber coisas a respeito dos sonhos, este será a primeira de algumas portagens sobre o assunto.
O sonho é vida.
Muitas vezes pode parecer que tudo está parado na vida. A pessoa sente que nada acontece, nada anda. Mas muitas vezes, uma vida consciente parada pode ocultar uma imensa atividade psicológica. O que nos indica este processo é o que ocorre quando estamos dormindo. Nossos sonhos podem revelar toda uma gama de sentimentos e aprendizados intensos que adquirimos com as vivências da vigília, que são finalmente assimiladas no inconsciente e demonstradas durante o sono. Os sonhos mais do que simplesmente trazerem à tona o que ocorre conosco internamente, são uma rica fonte de alimento psicológico e espiritual, quando o afeto e a esperança não estão tão abundantes. Durante os sono nossa energia física e espiritual pode ser recarregada, nos fornecendo algum suprimento para os momentos em que enfrentamos travessias no deserto.
Por isso procure lembrar dos seus sonhos. É mais fácil do que você imagina.
Todas as noites, quando estiver quase adormecendo, diga para você mesmo "Eu quero lembrar dos meus sonhos quando acordar" No inicio provavelmente você lembrará de alguns fragmentos, não os despreze, dê atenção a eles e os anote assim que acordar, isso é muito importante. Aos poucos verá que consegue lembrar de pedaços cada vez maiores, até que enfim lembrá de um ou mais sonhos inteiros.
Tenha sempre ao lado da cama um caderninho em espiral já aberto em uma folha em branco e uma caneta com a qual você possa escrever mesmo deitado. Na maior parte das vezes os sonhos podem se perder assim que começamos as tarefas do dia.
Depois eu explico melhor como isso acontece.
Bons sonhos.