sábado, 19 de março de 2011

Expansão dos limites

A estagnação pode se ocultar também nos patamares mais altos da evolução intelectual, psicológica e espiritual..
Somos acostumados a pensar que a acomodação  só acomete seres ignorantes e preguiçosos. Mas aquelas pessoas super inteligentes, super pacientes, super talentosass são as vítimas mais vulneráveis a estagnação através do orgulho, por acreditarem-se  evolvidos a ponto de terem pouco ou quase nada pra aprender, ceder, examinar... 
Mas não tem problema não, porque neste mundo tudo tende ao movimento, toda a vida é puro movimento, e quando por acaso empacamos somos impelidos a continuar, nem que seja aos solavancos, no tranco. Não importa o quão paciente, inteligente, talentoso você seja (ou imagina ser, porque só os outros realmente sabem estas coisas ao nosso respeito) a vida sempre lhe apresentará situações nas quais você precisará ser um pouco mais, se esforçar um pouco mais, aguentar um pouco mais e então nossa! Você já é mais capaz do que era antes pois expandiu os seus limites. E não importa até onde os outros chegaram, e sim onde você chega. É assim que nós crescemos, física e psicologicamete.
Portanto não se iluda, nós nunca crescemos o bastante, sempre há mais o que aprender e evoluir enquanto os nossos olhos ainda se abrirem pela manhã.

terça-feira, 15 de março de 2011

A lição da terra que treme

Muitas vezes eu procuro explicar para alunos, e por vezes para pacientes, a noção que de acordo com o novo paradigma afirma estarmos todos conectados. Para fazê-los compreender esta idéia, falo de autores  como o físico Fritjof Capra, o Biólogo Ruppert Sheldrake com seus campo morfológicos e morfogenéticos, o psiquiatra Stanislav Grof e é obvio Carl Gustav Jung com o Inconsciente Coletivo e tantos outros pensadores. Mas percebo que com a criação extremamente individualista que vem a séculos moldando mentes (e a muito mais tempo, espíritos), empederniu tanto a compreensão de alguns que passou a ser muito difícil sequer imaginar como de fato é possível que estejamos todos ligados.
Pois é, terra estes dias nos deu uma lição prática. As placas tectônicas, mesmo existindo como entes separados, ao se tocarem fizeram tremer o globo, e ainda teve quem não viu. Afinal foi lá no Japão né! 
Para nós aqui no ocidente, e especialmente no Brasil, por ter o fuso de exatas 12 horas de diferença, o Japão funciona no imaginário de muitas pessoas como o inconsciente, a sombra, aquilo que está do outro lado, escondido, totalmente outro. Quando aqui é dia lá e noite e vice versa. Enfim: se teve gente que nem se abalou com o que aconteceu na região serrana imagina no Japão!
Pois é, mas do Japão subiu uma fumaça radioativa, que se espalha de forma insidiosa pelo ar, e o ar, circula por todo continente, não tem pátria. Estamos todos ligados, sem ter para onde correr. Compartilhamos a mesma atmosfera, e o lixo jogado por uns atinge a todos, até mesmo aqueles que sequer fazem uso de uma lâmpada abastecida por usinas nucleares. Sim, tudo é da nossa conta, tudo nos importa, e sempre podemos fazer alguma coisa.
Aproveitando o ensejo, a poluição causada pelo derretimento dos reatores serve como alegoria para o fato de que todo pensamento ruim, tristeza, infelicidade, e mágoa, desespero e maldade também geram toxinas que são colocadas no Inconsciente Coletivo. O Inconsciente coletivo  para nossa psique pode  ser comparado a atmosfera, ao ar que compartilhamos. Então sim, é da minha conta o que sente o próximo, seja em termos de necessidades imediatas e concretas como em emergências psicológicas. É como se com estes acontecimentos ficasse cada vez mais claro que a divisão entre o eu e o outro é uma ilusão. 
A consciência ecológica verdadeira anda de mãos dadas com o amor.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Justo eu!

Pois é, escuto muito esta frase quando as pessoas são convidadas a enfrentar seus medos. A vida, com sua sabedoria - nem sempre fácil de lidar - nos faz enfrentar justo aquilo que mais nos apavora, apresenta provas cuja superação depende de vencer nossas próprias fraquezas.
Sim, somos testados naquilo que mais precisamos desenvolver. Geralmente são situações, transformações, decisões, das quais sempre tentamos fugir, adiar... Mas um grande dia eis que é vai ou racha!
Caso você esteja passando por alguma situação do gênero, o melhor que eu tenho a lhe dizer é enfrente, se supere, expanda a sua capacidade de compreensão, coragem paciência e etc. 
Tudo aquilo que nos negamos a resolver sempre volta como um bumerangue, em velocidade redobrada.
Lembre-se de que nada é por acaso.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Carnaval além da persona.

Existe uma faceta psicológica no carnaval que me gera reflexão. é uma época na qual podemos ver de forma empírica a realidade da existência da sombra - segundo definição de Jung - no ser humano. Para muitas pessoas o carnaval funciona como uma brecha, como um momento de licenciosidade no qual tudo o que deve ser reprimido e é visto como não permissível, adequado ou correto possa finalmente vir a tona. A razão e o julgamento se encontram entorpecidos, nublando a noção de limite do que nos faz evoluir e do que não faz. é claro que eu sei que nem todas as pessoas que saem em blocos e curtem ver os desfiles de escolas de samba estão dispostas a excessos. Mas o  mais notável, é a crença compartilhada por muitas pessoas de que naquele momento, tudo o que se faz de amoral, todos os excessos não são computados. Uma compreensão quase esquizofrênica da personalidade domina o senso comum, pois afinal de contas, naqueles dias boas moças podem beijar e agarrar qualquer um, pais de família se comprazem com os mais exttraordinários trajes femininos, pais se orgulham de ver as filhas nuas em rede nacional, pessoas de respeito se dão ao direito de beber até perder a consciência e acordar na sarjeta ou em hospitais - quando tem a sorte de acordar...
O carnaval é reconhecido como a época das máscaras, mas máscara no sentido junguiano é a persona (máscara em grego) é o que usamos no nosso dia a dia como interface entre nós e a sociedade, mas eu acredito que é a época em que as máscaras caem, e vemos até onde cada um é capaz de ir quando o limite já não é mais exigido pela sociedade, quando só temos o nosso próprio sábio interior para nos guiar. Quando somos realmente vistos além da persona, e muitas a realidade não é tão bonita de se ver.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O que é que eu estou fazendo aqui?

Acredito que esta perguntinha muito simples é a campainha do despertador que toca no fundo de nossa psique (lembrando que psique em grego é alma...) é um divisor de águas, uma chave que abre as portas para perceber o mundo, a pílula vermelha do filme Matrix... Considero esta pergunta tão importante que quando recebo um paciente, em algum momento procuro saber se ele já a fez, e isso me indica o nível de questionamento no qual se encontra, e por conseguinte o nível de profundidade no qual poderemos trabalhar.
É uma pergunta simples, quase obvia, mas muito difícil de fazer, e ameaçadora. Ameaçadora sim, porque ir atrás de sua resposta implica em admitir que somos mais responsáveis por nosso destino do que queremos admitir, nos faz ter mais responsabilidades do que de fato talvez queiramos arcar. E principalmente, nos tira do inebriante  conforto aparente da ilusão.
Mas infelizmente, a verdade é que a maioria das pessoas passa a vida inteira sem se questionar seriamente sobre o assunto, simplesmernte levando a vida, ou melhor, sendo levado por ela.
E quanto a você?

sábado, 29 de janeiro de 2011

BBB: O que os olhos não veem o coração não sente. ( Será?)

Hoje, colocando os meus emails em dia, vi algumas mensagens que falavam a respeito do atual BBB. Como eu me nego terminantemente a ver tal programa, não estava muito por dentro do que rolava por lá, mas os e mail me colocaram a par. Mesmo sem querer assistir a tal espetáculo aviltante, ele chegou até mim. Na verdade nunca acreditei muito naquele ditado que diz "O que os olhos não veem o coração não sente". Para quem já percebeu que nós seres humanos estamos todos conectados uns aos outros de alguma forma, sabe também que tudo o que acontece, principalmente um fenômeno de massa como esse, não deixa de afetar a todos nós. É como a poluição jogada no ar, como se fôssemos fumantes passivos ou coisa assim. Para mim esta edição foi como um quisto purulento que vinha crescendo sem que lhe dessem atenção e agora rompeu, deixando a mostra a podridão humana. Gostei disso. Desde o início já se via que tudo era armado para deixar eclodir a sombra do ser humano, mas agiam como se fosse uma competição normal, saudável. Sinto que mesmo que eu não assista algo assim, e não deixe que meus filhos o façam, os valores, ou a falta deles apregoadas pelo programa empesteiam os comerciais, jornais bancas de revistas e conversas nas rodas de amigos. Na verdade eu não acredito, como muitos dizem, que o BBB é um perversor de mentes. Não, ele não é o agente, ele ao contrário é fruto de mentes pervertidas e afastadas do que é realmente o objetivo da vida, da evolução espiritual do ser humano. 
As  coisas não me assustam por não querer ver o lado negro do ser humano, pois trabalho com isso há muitos anos e já ouvi muitas coisas. Mas quase todos que se sentam na minha frente estão,apesar de tudo, querendo alimentar o lado luminoso, querendo ter uma vida mais plena, deixar de alimentar os monstros. O que me dói é ver que muitos estão é querendo alimentar a fera com os próprios semelhantes, alimentar o vício   de viver em meio a fofocas e intrigas, ao invés de gastar tempo olhando para dentro e vendo seus próprios defeitos no intuito de melhorar. 
Mas por incrível que pareça, acho que ter chegado ao insuportável ponto que chegou é bom, pois como sempre digo: é vendo claramente a situação que podemos procurar uma solução.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Psicólogos e costureiros

Desde o ano passado quero falar a respeito de um assunto que foi trazido por uma jovem paciente. Ela foi comprar um vestido e quando entrou na loja pediu para experimentar um tamanho P, que seria  mais aproximadamente adequado ao seu físico. Para a sua surpresa a vendedora disse que era tamanho único. Entrou entrou entrou, não entrou paciência.
O que a loja oferecia era um absurdo reflexo do que vivemos hoje em quase todos os sentidos. Me lembrei imediatamente de minha avó, que era uma costureira de vestidos de noiva, ou seja, fazia de tudo. Ela me ensinou  a respeito de cada medida do corpo que se precisava tirar antes de começar a cortar uma roupa. Que além das obvias como cintura e quadris, tínhamos que ver se a pessoa tinha seios fartos para dar pregas mais ou menos profundas, pernas ligeiramente mais curtas e ombros caídos deveriam ser levados em conta para que a roupa assentasse bem e acolhesse o ser humano que iria vesti-la.
Com o tempo as roupas passaram a ser cada vez mais feitas em série, e nem por isso ficaram mais baratas, muito pelo contrário. Lojas chiquérrimas cobram caríssimo para que você tenha o privilégio de sair por ai desfilando e mostrando você cabe no estilo da marca tal. Sim, você tem que se adequar ao corpo de manequins irreais que assustam muitas pessoas só de passar na frente da vitrine. As roupas não são feitas para o seu perfil, você tem que se encaixar no perfil das lojas...
É um reflexo da negação da pessoa enquanto indivíduo, enquanto ser humano, que embora tenha um tanto de coisas parecidas com tantos outros, por outros lado é parecido ao seu modo.
Nessa onda muitas teorias psicológicas foram criadas na tentativa de colocar os seres humanos dentro de um mesmo molde, como se todos fossem responder as fórmulas comportamentais e pílulas milagrosas da mesma maneira. 
Cada vez mais admiro a atitude de Jung, que não queria que suas idéias fossem chamadas de teorias, e que embora dissesse que haviam estruturas psicológicas comum a todas as pessoas, o modo que cada um as trabalhava era um imenso mistério particular ao qual o analista tinha que se debruçar, usando todo o seu conhecimento e ao mesmo tempo colocando-o de lado para ouvir realmente.