domingo, 15 de maio de 2011

A internetet e o inconsciente coletivo

Desde que comecei a me interessar pelo pensamento de Carl Gustav Jung, ouço algumas pessoas dizendo que não se interessaram por ele por ser demasiado complexo. Isso sempre me surpreendeu, pois para mim   parece simples, porém jamais simplório. Nestes anos dando aula, percebi que a questão do inconsciente coletivo é uma pedra fundamental para ir adiante no pensamento de Jung ou empacar de vez. Tem gente que vai, tem gente que fica... E quando fica não é exatamente por não entender, (pois modéstia a parte, até que explico direitinho segundo meus próprios alunos) mas por não concordar com o paradigma segundo o qual a mente não é material e restrita ao cérebro e às percepções físicas. Nestes casos só cabe o respeito e ponto.
Para compreender Jung é necessário não se contentar com o que é meramente observável, é necessário ver com os olhos do espírito, aquele que pressente que existem mais coisas do que os 5 sentidos podem captar.
Este pensamento pode ser libertador para alguns e profundamente desamparador para muitos. Portanto, respeito e ponto. 
Mas quando questionada a respeito da real possibilidade de existência de algo como o inconsciente coletivo, gosto de pedir para perguntarem aos seus avós o que fariam, se na juventude deles alguém dissesse que seria possível existir uma rede de comunicação internacional onde poderíamos acessar pensamentos, idéias, mandar mensagens, documentos, nos comunicar em tempo real olhando o rosto de alguém,  sem que houvesse sequer a necessidade de um fio para isso! Alguns se animariam com a idéia e se dedicariam imediatamente a tarefa de tornar este sonho viável, procurando desenvolver novas tecnologias. Outros mandariam internar o visionário sob o diagnóstico de esquizofrenia... Para mim a internet é uma analogia do inconsciente coletivo.
Mas tudo só chega no momento em que há desenvolvimento suficiente para se manifestar, e percebo que precisamos desenvolver a tecnologia interior  para acessar o inconsciente coletivo, como pessoas que ainda precisam comprar um computador para acessar a internet,  mas ao contrário de um computador esta tecnologia interior não se compra com dinheiro.
Mas, a criatividade verdadeira só nasce quando se tem a coragem de tirar os pés do chão, e imaginar o inimaginável.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Paciência II

Muitas vezes nos custa ter paciência. É fácil dizer ao outro para ter paciência, mas colocá-la em prática na própria vida é algo um pouco mais complicado do que  parece.
A paciência é mais do que poder esperar em uma fila de banco sem reclamar. Pois por mais que demore, vemos o que acontece no inicio da fila, e mais cedo ou mais tarde o nosso destino será o atendimento.
Mas quando falamos de questões mais complexas, de situações da vida onde a esperança e a paciência andam de mãos dadas, quando queremos muito alguma coisa que não acontece como e quando queremos... Sim, este é o verdadeiro teste da paciência, saber esperar baseado apenas na confiança de que em algum dia, as sementes plantadas na terra irão brotar, e mesmo sem saber quando, acreditar que no tempo certo a colheita há de vir. A paciência verdadeira, aquela que nos faz crescer vem sempre acompanhada da espiritualidade, porque existem momentos em que só o saber de Deus nos motiva a seguir em frente além do que somos capazes de ver.


PS: A fila do banco e afins continuam sendo um bom treino.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Para os alunos II (mas quem quiser também pode ler...)

Além da Vida e Documentário Reencarnação
O principal nestes filmes é o conceito de mente enquanto algo imaterial e que vive além do corpo. Para tanto vale pena ver a obra de um psiquiatra chamado Stanislav Grof, que fez muitas pesquisas de consciência transpessoal, e obviamente muito das pesquisas deste ramo da psicologia tocam conceitos espiritualistas. Mas vale lembrar que tanto um quanto o outro não falam de nenhuma religião específica, apenas apresentam um fenômeno q não podemos explicar com as argumentações cientificistas.

Laranja Mecânica e 102 Dálmatas.
Aqui nosso grande questionamento é a mente enquanto algo treinável e moldável pelos estímulos (leia-se principalmente família e sociedade) podendo tornar previsível e domesticável um comportamento indesejável. Pensar a eficácia ou não desta concepção da mente humana. Para tanto estudem um pouco de condicionamento em Pavlov, Watson e Skinner. Não precisa concordar ou discordar, só pensar!!!

A Onda.
Bem, aqui vai a minha aposta de que vcs devem se questionar o quanto uma pessoa pode ser levada pelo coletivo a ter atitudes que normalmente não fariam parte da sua natureza. Para compreender isto de forma mais psicológica e menos sociológica, pesquisem o conceito de Sombra em Jung, que afirma coexistir o mal e o bem dentro de todo ser humano.
Mais uma vez falem comigo se precisarem de alguma coisa.
tatiparanagua@gmail.com

quinta-feira, 31 de março de 2011

"Até que a morte os separe"

Esta frase sempre me pareceu enigmática. Desde criança, sempre que eu ia em um casamento estranhava a necessidade de fazer aqueles juramentos. Segundo a minha lógica infantil, se as pessoas já estavam ali mesmo, chamando tanta gente para comemorar uma união, já não estava bem claro tudo aquilo?
O tempo passou e obviamente posso enxergar a necessidade ritualística daquele momento. Mas com os anos também me veio novamente a estranheza do mesmo juramento, só que de outro ponto de vista, o de que se hoje em dia as pessoas descasam tão depressa, para que prometer algo que não sabe se vai aguentar cumprir?
Com o exercício da clínica psicológica e a visão espiritual, vejo que o risco da separação não está na morte, está na vida. Está nas contas para pagar, nas divergências de educação, TPMs não compreendidas, aniversários esquecidos, maridos negligenciados por causa dos filhos, excesso de atenção na carreira, cabelos brancos, barrigas infladas, estrias, falta de carinho, a vizinha gostosona e principalmente: modos diferentes de conceber o mundo, o amor e a vida.
É uma ilusão acreditar que o casamento irá nos fazer feliz, nós é que temos o poder de fazer o casamento ser feliz.
Pensando nisso poderíamos prometer: Que a vida nos una além da morte.
Acredito que se dois espíritos realizam o grande feito de ter uma vida saudável e bastante feliz juntos, a morte apenas irá perpetuar aquela ligação, consolidando a afinidade que certamente os unirá em outro momento. Sim, eu sou reencarnacionista mesmo, mas isso quase todos vocês já sabem...




sábado, 19 de março de 2011

Expansão dos limites

A estagnação pode se ocultar também nos patamares mais altos da evolução intelectual, psicológica e espiritual..
Somos acostumados a pensar que a acomodação  só acomete seres ignorantes e preguiçosos. Mas aquelas pessoas super inteligentes, super pacientes, super talentosass são as vítimas mais vulneráveis a estagnação através do orgulho, por acreditarem-se  evolvidos a ponto de terem pouco ou quase nada pra aprender, ceder, examinar... 
Mas não tem problema não, porque neste mundo tudo tende ao movimento, toda a vida é puro movimento, e quando por acaso empacamos somos impelidos a continuar, nem que seja aos solavancos, no tranco. Não importa o quão paciente, inteligente, talentoso você seja (ou imagina ser, porque só os outros realmente sabem estas coisas ao nosso respeito) a vida sempre lhe apresentará situações nas quais você precisará ser um pouco mais, se esforçar um pouco mais, aguentar um pouco mais e então nossa! Você já é mais capaz do que era antes pois expandiu os seus limites. E não importa até onde os outros chegaram, e sim onde você chega. É assim que nós crescemos, física e psicologicamete.
Portanto não se iluda, nós nunca crescemos o bastante, sempre há mais o que aprender e evoluir enquanto os nossos olhos ainda se abrirem pela manhã.

terça-feira, 15 de março de 2011

A lição da terra que treme

Muitas vezes eu procuro explicar para alunos, e por vezes para pacientes, a noção que de acordo com o novo paradigma afirma estarmos todos conectados. Para fazê-los compreender esta idéia, falo de autores  como o físico Fritjof Capra, o Biólogo Ruppert Sheldrake com seus campo morfológicos e morfogenéticos, o psiquiatra Stanislav Grof e é obvio Carl Gustav Jung com o Inconsciente Coletivo e tantos outros pensadores. Mas percebo que com a criação extremamente individualista que vem a séculos moldando mentes (e a muito mais tempo, espíritos), empederniu tanto a compreensão de alguns que passou a ser muito difícil sequer imaginar como de fato é possível que estejamos todos ligados.
Pois é, terra estes dias nos deu uma lição prática. As placas tectônicas, mesmo existindo como entes separados, ao se tocarem fizeram tremer o globo, e ainda teve quem não viu. Afinal foi lá no Japão né! 
Para nós aqui no ocidente, e especialmente no Brasil, por ter o fuso de exatas 12 horas de diferença, o Japão funciona no imaginário de muitas pessoas como o inconsciente, a sombra, aquilo que está do outro lado, escondido, totalmente outro. Quando aqui é dia lá e noite e vice versa. Enfim: se teve gente que nem se abalou com o que aconteceu na região serrana imagina no Japão!
Pois é, mas do Japão subiu uma fumaça radioativa, que se espalha de forma insidiosa pelo ar, e o ar, circula por todo continente, não tem pátria. Estamos todos ligados, sem ter para onde correr. Compartilhamos a mesma atmosfera, e o lixo jogado por uns atinge a todos, até mesmo aqueles que sequer fazem uso de uma lâmpada abastecida por usinas nucleares. Sim, tudo é da nossa conta, tudo nos importa, e sempre podemos fazer alguma coisa.
Aproveitando o ensejo, a poluição causada pelo derretimento dos reatores serve como alegoria para o fato de que todo pensamento ruim, tristeza, infelicidade, e mágoa, desespero e maldade também geram toxinas que são colocadas no Inconsciente Coletivo. O Inconsciente coletivo  para nossa psique pode  ser comparado a atmosfera, ao ar que compartilhamos. Então sim, é da minha conta o que sente o próximo, seja em termos de necessidades imediatas e concretas como em emergências psicológicas. É como se com estes acontecimentos ficasse cada vez mais claro que a divisão entre o eu e o outro é uma ilusão. 
A consciência ecológica verdadeira anda de mãos dadas com o amor.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Justo eu!

Pois é, escuto muito esta frase quando as pessoas são convidadas a enfrentar seus medos. A vida, com sua sabedoria - nem sempre fácil de lidar - nos faz enfrentar justo aquilo que mais nos apavora, apresenta provas cuja superação depende de vencer nossas próprias fraquezas.
Sim, somos testados naquilo que mais precisamos desenvolver. Geralmente são situações, transformações, decisões, das quais sempre tentamos fugir, adiar... Mas um grande dia eis que é vai ou racha!
Caso você esteja passando por alguma situação do gênero, o melhor que eu tenho a lhe dizer é enfrente, se supere, expanda a sua capacidade de compreensão, coragem paciência e etc. 
Tudo aquilo que nos negamos a resolver sempre volta como um bumerangue, em velocidade redobrada.
Lembre-se de que nada é por acaso.