sábado, 18 de junho de 2011

Sem aviso. (Mesmo?)

Escutem esta história:
"Para quem via de fora parecia que tudo havia acontecido do nada, sem aviso. Quem olhava acreditava-se tratar-se de uma estrutura firme... Mas na verdade eu sabia que não havia sido do nada. Foi descuido mesmo. Eu não dei importância aos sinais visíveis de desgaste na base, que o peso estava sendo grande demais. Fiz pouco caso, achei que dava para ir levando, um remendinho aqui, outro ali... Até que um dia tudo se partiu e os cacos se espatifaram pelo chão. Não tinha mais jeito..."
Bom, foi essa a história que os meus pacientes ouviram quando perguntaram pela mesinha do meu consultório. É isso mesmo, uma mesinha redonda de pés aranha e tampo de vidro uma graça! Na segunda feira quando a secretária abriu a porta do consultório ficou pasma ao ver os cacos de vidro estilhaçado pelo chão e pensou "Como isso foi acontecer assim do nada!". A mim só coube respirar fundo e dizer para recolher os estragos. Eu sabia que não tinha sido do nada. Há algum tempo ela abriu uma pequena junta que empurramos  para o lugar. Depois abriu de novo e colocamos um barbante, abriu outra e encostamos na parede. Até que um dia caiu o tampo , reencaixamos e tudo pareceu bem... Até que no final de semana ruiu "do nada".
Quando alguma coisa acontece, seja com a mesa ou com a vida, quase nunca é do nada. Muitas vezes as coisas são reflexos de negligência e pouco caso, principalmente no que diz respeito às relações humanas, que precisam de cuidado e atenção constantes.
Só sei que esta história rendeu muita terapia para alguns dos meus pacientes esta semana. Não por causa da mesinha em si é claro, mas porque o que aconteceu com ela os fez lembrar de algumas situações mais sérias que estavam sendo tratadas da mesma forma. Foi um caso de sincronicidade.
A lição também foi válida para mim. E pensando bem, até que a sala ficou um pouco mais espaçosa...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Como assim FICAR ???

Ontem foi dia dos namorados. E mesmo sabendo que o data tem um grande apelo comercial, podemos relevar este detalhe e ver que é um dia em que é celebrado o fato  de estar gostando de estar  com uma  pessoa. Ou seja, é a refirmação de que aquelas pessoas querem continuar ficando juntas!!!
OOOps, ficando??? Mas quem está ficando não comemora dia dos namorados... Sabe como é né, vai que a pessoa entende tudo errado e é só um ficar mesmo, não é nada mais sério... E quem está só ficando na Night então nem se fala, porque aí mesmo é que não tem ninguém para passar o dia dos namorados, mesmo tendo beijado 5 ontem não tem ninguém para tomar café da manhã com aquela cesta lindíssima, ninguém para perdoar e ser perdoado e seguir em frente, ninguém para dividir um segredo, ninguém para consolar e ser consolado, ninguém para fazer uma história... Ninguém  para dizer EU TE AMO
Pegou 5, mas não tem ninguém para ficar de verdade.
O significado original da palavra ficar lembra compromisso. O verbete 17 do Aurélio diz: Permanecer em certa disposição de espírito ou situação. e o 21, bem mais recente diz: Trocar carinho por período curto. 
Todas as palavras são o símbolo de um estado de espírito, elas foram criadas para expressar aquilo que vem na mente e no coração e quer ser partilhado por muitos. Uma palavra não é apenas uma palavra, é um pedaço do ser humano. E quando o significado de uma palavra é tão alterado assim, podemos pensar que alguma coisa também está alterada no espírito humano.
E aí, 17 ou 21?

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A sombra e o dominó


Estava pensando no efeito dominó que pode ser desencadeado quando esbarramos na sombra de alguém. Quando nos encontramos com a sombra do próximo (no sentido junguiano, aquele lado negro que todo mundo tem e não quer ver que tem...), isso faz com que um mecanismo de reação quase automático seja ativado, fazendo com que a nossa própria sombra se projeto sobre o outro. E não pára por aí, pois provavelmente perdemos a paciência com pessoas que não têm nada com a história, que por sua vez ao se sentirem magoadas podem deixar que a sua sobra também surja e se precipite sobre um terceiro e assim por diante. 
Quero dizer que uma palavra negativa, uma reprovação, um olhar invejoso e etc. podem ter efeitos devastadores no universo. Palavras e atos provenientes da sombra são a noite que se espalha da caixa de Pandora. E vale lembrar que quanto mais negada for, mais violenta é a sombra.
E o autoconhecimento é o melhor caminho para aprender a amar, pois podemos reconhecer que a sombra do outro pode ser uma projeção de nosso próprio lado escuro.
Mas no ser humano também tem luz...  Palavras de amor e compreensão podem trazer claridade para as nossas vidas e irradiar paz para o universo. 
Faça uma experiência.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Bateu levou ! (Levou para onde mesmo?)

Percebo que quanto mais imaturos somos mais queremos aplicar o toma lá dá cá, a lei de talião: olho por olho e dente por dente sem percebermos que este tipo de justiça pode ser uma armadilha que nos impeça de sair da roda da repetição, onde em algum momento desempenhamos o papel de algozes e depois de vítimas, pois os opostos são faces da mesma moeda.
Isso acontece nas situações mais cotidianas (daquelas que escuto aos montes). Digamos que em um casal, um dos pares descobre que o outro foi infiel. Em represália, o um(a) resolve trair o outro(a). Nada mais justo certo!  Bem, nem tão certo assim...
Me entristece ver pessoas na descrita situação não vencerem o teste apresentado pela vida e simplesmente se transformarem no que abominavam, com a justificativa de dar o troco. Dar o troco em quem? Se quem mais sai perdendo é aquele que deixou de ser virtuoso e entrou no ciclo vicioso, de traído se tornou traidor e assim por diante... O orgulho ferido, o ódio e a vingança são nocivos para quem os sente, são armadilhas escondidas na sombra humana a espera de uma oportunidade para dominar a cena.
Mas driblar estas armadilhas equivale a se esforçar para começar a entender  que a vida não se resume ao que os olhos e a curta razão materialista abarcam.

domingo, 15 de maio de 2011

A internetet e o inconsciente coletivo

Desde que comecei a me interessar pelo pensamento de Carl Gustav Jung, ouço algumas pessoas dizendo que não se interessaram por ele por ser demasiado complexo. Isso sempre me surpreendeu, pois para mim   parece simples, porém jamais simplório. Nestes anos dando aula, percebi que a questão do inconsciente coletivo é uma pedra fundamental para ir adiante no pensamento de Jung ou empacar de vez. Tem gente que vai, tem gente que fica... E quando fica não é exatamente por não entender, (pois modéstia a parte, até que explico direitinho segundo meus próprios alunos) mas por não concordar com o paradigma segundo o qual a mente não é material e restrita ao cérebro e às percepções físicas. Nestes casos só cabe o respeito e ponto.
Para compreender Jung é necessário não se contentar com o que é meramente observável, é necessário ver com os olhos do espírito, aquele que pressente que existem mais coisas do que os 5 sentidos podem captar.
Este pensamento pode ser libertador para alguns e profundamente desamparador para muitos. Portanto, respeito e ponto. 
Mas quando questionada a respeito da real possibilidade de existência de algo como o inconsciente coletivo, gosto de pedir para perguntarem aos seus avós o que fariam, se na juventude deles alguém dissesse que seria possível existir uma rede de comunicação internacional onde poderíamos acessar pensamentos, idéias, mandar mensagens, documentos, nos comunicar em tempo real olhando o rosto de alguém,  sem que houvesse sequer a necessidade de um fio para isso! Alguns se animariam com a idéia e se dedicariam imediatamente a tarefa de tornar este sonho viável, procurando desenvolver novas tecnologias. Outros mandariam internar o visionário sob o diagnóstico de esquizofrenia... Para mim a internet é uma analogia do inconsciente coletivo.
Mas tudo só chega no momento em que há desenvolvimento suficiente para se manifestar, e percebo que precisamos desenvolver a tecnologia interior  para acessar o inconsciente coletivo, como pessoas que ainda precisam comprar um computador para acessar a internet,  mas ao contrário de um computador esta tecnologia interior não se compra com dinheiro.
Mas, a criatividade verdadeira só nasce quando se tem a coragem de tirar os pés do chão, e imaginar o inimaginável.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Paciência II

Muitas vezes nos custa ter paciência. É fácil dizer ao outro para ter paciência, mas colocá-la em prática na própria vida é algo um pouco mais complicado do que  parece.
A paciência é mais do que poder esperar em uma fila de banco sem reclamar. Pois por mais que demore, vemos o que acontece no inicio da fila, e mais cedo ou mais tarde o nosso destino será o atendimento.
Mas quando falamos de questões mais complexas, de situações da vida onde a esperança e a paciência andam de mãos dadas, quando queremos muito alguma coisa que não acontece como e quando queremos... Sim, este é o verdadeiro teste da paciência, saber esperar baseado apenas na confiança de que em algum dia, as sementes plantadas na terra irão brotar, e mesmo sem saber quando, acreditar que no tempo certo a colheita há de vir. A paciência verdadeira, aquela que nos faz crescer vem sempre acompanhada da espiritualidade, porque existem momentos em que só o saber de Deus nos motiva a seguir em frente além do que somos capazes de ver.


PS: A fila do banco e afins continuam sendo um bom treino.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Para os alunos II (mas quem quiser também pode ler...)

Além da Vida e Documentário Reencarnação
O principal nestes filmes é o conceito de mente enquanto algo imaterial e que vive além do corpo. Para tanto vale pena ver a obra de um psiquiatra chamado Stanislav Grof, que fez muitas pesquisas de consciência transpessoal, e obviamente muito das pesquisas deste ramo da psicologia tocam conceitos espiritualistas. Mas vale lembrar que tanto um quanto o outro não falam de nenhuma religião específica, apenas apresentam um fenômeno q não podemos explicar com as argumentações cientificistas.

Laranja Mecânica e 102 Dálmatas.
Aqui nosso grande questionamento é a mente enquanto algo treinável e moldável pelos estímulos (leia-se principalmente família e sociedade) podendo tornar previsível e domesticável um comportamento indesejável. Pensar a eficácia ou não desta concepção da mente humana. Para tanto estudem um pouco de condicionamento em Pavlov, Watson e Skinner. Não precisa concordar ou discordar, só pensar!!!

A Onda.
Bem, aqui vai a minha aposta de que vcs devem se questionar o quanto uma pessoa pode ser levada pelo coletivo a ter atitudes que normalmente não fariam parte da sua natureza. Para compreender isto de forma mais psicológica e menos sociológica, pesquisem o conceito de Sombra em Jung, que afirma coexistir o mal e o bem dentro de todo ser humano.
Mais uma vez falem comigo se precisarem de alguma coisa.
tatiparanagua@gmail.com