sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A alface, o fast food e o antidepressivo. Reflexões a respeito da paciência.


Quando muitas vezes dizemos que as pessoas precisam entrar mais em contato com a natureza, a primeira coisa que costuma vir a cabeça das pessoas é um hotel fazenda com uma baita infra para relaxar... E depois de ter passado um bom final de semana podem voltar e começar a se estressar de novo. É uma relação quase consumista, sem que de fato tenham se conectado com a natureza, nada realmente aconteceu. Tudo continua extremamente imediatista e desconectado da própria natureza humana - que não à toa se chama natureza. E assim, tudo se torna precipitado, frágil e artificial, desde relacionamentos, conversas, trabalhos e a alegria e a alimentação. Come-se fast food imaginando-se que é alimento, toma-se antidepressivo imaginando-se curado e feliz, fica-se na night imaginado-se amado e assim por diante. 
E a alface? Bem, a alface é a cura. Mas para que funcione não basta comprar as folhas, é necessário pegar as sementes, plantar, regar e esperar, esperar e esperar... As alfaces crescem bem rápido, mas para quem vive tão desconectado de tudo, chegará até mesmo a duvidar de que de fato algo irá crescer, pois se o resultado não é imediato, logo não existe. Persista segure a ansiedade e será uma alegria sem fim quando o broto aparecer, você ainda não pode come-la, tudo tem sua hora, há de zelar pelo pezinho. No dia em que ele estiver no ponto, coma antes de dormir, pois ainda por cima é um calmante natural.
Depois disso, talvez você tenha começado a compreender que como no caso da alface, tudo na nossa vida tem seu tempo, e cresce, mesmo que ainda esteja longe das nossas estreitas vistas.






sexta-feira, 29 de junho de 2012

Marcando hora comigo mesma

Amigos, estou sem escrever faz um bom tempo... Os afazeres se impuseram de forma tão contundente, que escrever aqui, algo que me faz tão feliz, foi relegado à condição das coisas que levam o carimbo PODE ESPERAR. E assim foi, dia após dia que no final eu mesma não sabia como tinha dado conta de tudo. Meu Deus, de onde saíram tantas coisas urgentes? 
Um dia uma amiga falou comigo e perguntou como iam as coisas e eu disse: Corridas, preciso até marcar uma hora comigo mesma no consultório, vou me pagar inclusive!
Foi uma brincadeira, mas eu me ouvi. Aquela brincadeira era muito séria e absurda. Logo eu que acredito e tenho como meta de vida e trabalho o autoconhecimento, o olhar para dentro de si mesmo, a meditação e etc sem tempo para mim! 
Quis pisar no freio, mas não funcionou. Resultado: meu inconsciente resolveu tudo para mim, fiquei um dia inteiro de cama, parada sem conseguir me melhor, com dores nas articulações. Foi quando me peguei curtindo o ganho secundário da situação: Pelo menos estou parada...
Eu era um exemplo vivo das minhas aulas a respeito de auto sabotagem. Mas no momento em que flagrei o processo, a dor rapidamente passou, no dia seguinte já me movia muito melhor e resolvi que não trabalharia, iria a praia, leria, ficaria só com a minha família. Como o meu inconsciente é um inconsciente esperto, me senti mal na sexta, para emendar com o final de semana, e foi muito bom.
Escrevo estas palavras porque segundo a máxima "psicológo também é gente", aproveitei a oportunidade para relembrar que precisamos estar alertas às armadilhas do cotidiano, que tenta sugar ao máximo a nossa criatividade, alegria, momentos alegres de relaxamento, com urgências nem sempre tão urgentes assim. Precisamos nos dar tempo para fazer nada, para nos conectarmos com o nada superior, divino. Pois segundo a ideia tão difundida na psicologia junguiana da necessidade da equilíbrio entre os opostos complementares, a atividade e o repouso devem se alternar em ciclos, para que o ser humano seja realmente pleno e criativo em seus afazeres. Sem isso, há o que chamamos de stress, o movimento constante e estéril do ramster na gaiola, que não pára e por isso mesmo não faz nada, completamente apartado da sua natureza. O espírito precisa reabastecer as forças para atuar no mundo trazendo graça beleza, leveza e talento. Se dar um tempo é a maneira mais eficaz de garantir uma vida produtiva.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Transformar-se pela palavra.



Transformar-se em uma pessoa melhor é um típico desejo expresso pelo ser humano que procura tratamento psicológico e afins. Depois de muito falar e reconhecer os pontos fracos da personalidade, costumam colocar para si mesmo objetivos radicais de mudanças extremas, que não raro acabam por não serem realizados, causando frustração, baixa auto-estima e a sensação de que é um caso perdido mesmo...

O que poucas pessoas sabem é que a transformação de uma borboleta não acontece fora de um processo, que   levando em conta o tempo de vida de uma borboleta, é bem longo.
A minha sugestão mais frequente é não traçar nenhum grande plano. A primeira chave é a palavra. cumprir com a palavra, para consigo mesmo acima de tudo, é o degrau mais firme para quem deseja empreender mudanças interiores e exteriores verdadeiras. Por um motivo muito simples: a palavra é o que dá impulso a ordenação do fluxo energético que move o ser humano. Palavra e querer quando andam juntos tiram o ser humano da inércia e colocam a nossa disposição um manancial de energia geradora. Quando os atos estão de acordo com as palavras a psique e também o cérebro encontram a clareza e a coerência necessária para cessar conflitos e encontrar soluções.

Faça uma experiência de uma semana: Se disse que chegará em determinado horário, chegue. Marcou compromisso, vá. Se a verdade é muito dura para ser dita, não minta, cale.  aos poucos se sentirá cada vez mais capaz de empreender mudanças.
Simples assim.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Evolução tecnológica e as metáforas de Deus

Como já dizia Jung o ser humano só pode conhecer deus através da sua própria capacidade de imaginá-lo. Um homem só percebe Deus partindo da sua própria capacidade de apreender e compreender o que é o sagrado. Quando imaginamos, literalmente criamos uma imagem, logo o que temos na verdade é a imagem de Deus. Pode parecer obvio, mas esta afirmação fez com que Jung ficasse em situação difícil tanto com cientistas céticos quanto com teólogos crentes. Uma mesma afirmação o fez ser taxado de ateu por dizer que Deus é uma imagem, e de místico anticientífico  por falar a respeito da importância da imagem de Deus para a psique humana. Tamanha façanha só foi possível graças ao mesmo sentimento, o orgulho: De uns acreditando ser possível a mente humana apreender a totalidade de um ser concebido como superior, e outros por não acreditarem existir qualquer coisa superior para conhecer.
Mas enfim, o que eu quero dizer é que uma comprovação da afirmação junguiana é o fato das metáforas utilizadas para definir Deus, que está intimamente ligada ao grau de avanço da humanidade.
Na época cartesiana, quando o relógio era a maior invenção jamais vista, uma máquina capaz de dominar algo que era dado apenas pela natureza, o homem se sentiu Deus porque podia ser um relojoeiro, logo, Deus era um grande relojoeiro, e o universo uma máquina!
Nos dias de hoje, com avanços tecnológicos e a descoberta do mundo e do tempo virtual - praticamente o domínio de uma outra dimensão! - A metáfora mais adequada a Deus é a de um grande programador, não apenas um construtor.
Interessante não! quando nos sentimos mais evoluídos materialmente nossas concepções do sagrado também podem mudar. Quem não vê o mundo partido  pode compreender que de diversas maneiras o mundo espiritual está ligado ao mundo material.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Espiritualidade e estudo científico da mente: um novo tabu a ser superado

Antes de tudo, Oi, faz tempo que não escrevo, mas voltei animada. Bem, hoje quero fazer uma reflexão a respeito de ensino acadêmico e tabu. Tive uma grata surpresa ao assistir no youtube uma palestra em que um neurocientista de São Paulo, Sérgio Felipe de Oliveira, um estudioso a respeito da glândula pineal, falava abertamente a uma platéia de estudantes de medicina a respeito da espiritualidade e sua interação com as estruturas mentais orgânicas. Nossa, fiquei feliz. Era mais um quebrando um antigo tabu acadêmico. "Em campos científicos é proibido falar de espiritualidade", e se alguém fala, todos se entreolham tímidos, vermelhos, desconcertados, pensado"Será que podemos falar de coisas assim neste lugar?" Antigamente estas reações eram causadas por assuntos como o sexo em um ambiente público. E hoje, devido a inegável importância psíquica da sexualidade (devemos isso a Freud) assuntos ligados a ela, muitas vezes em matizes que vão do natural ao escabroso são comentados com enorme liberdade. Ok, isso realmente é bom. Mas porque será que a espiritualidade é um novo tabu a quebrar? Eu digo porque. Quando a sexualidade era rejeitada como componente psíquico, muitos o faziam por medo e rejeição dos seus próprios conteúdos, era algo apresentado de forma nova do que era até então concebido, muito mais profundo. E a com a espiritualidade está acontecendo a mesma coisa. Não estamos falando de dogmas metafísicos ligados a alguma doutrina religiosa apenas, estamos falando, em paralelo com a física tudo é energia, e que assim sendo, o ser humano tão pouco é um ser material apenas. E isso assusta e mete medo. Da mesma forma que abrimos lugar para a sexualidade como importante componente do funcionamento psíquico (mas não o único ), vamos abrir também nossas mentes para o desconcertante fato de que se mesmo a ciência experimental diz que a matéria não existe como entidade concreta, me parece muito lógico pensar em um ser humano como ente espiritual.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O Tempo



O Tempo é longo quando se espera
O Tempo é curto quando se está feliz

O Tempo traz ansiedade
O Tempo traz  esperança

O Tempo deixa saudade
O Tempo cura a ferida

O Tempo traz tempestade
O Tempo traz bonança

O Tempo encurta
O Tempo faz crescer

O Tempo é passado
O Tempo é futuro

O Tempo na verdade é tudo
O Tempo na verdade é o Nada

O Tempo é este momento


sábado, 15 de outubro de 2011

É dando que se recebe (de si mesmo)


Ouvimos constantemente que a solução está dentro de nós, que a paz está dentro de nós e que o sagrado está dentro de nós.
Muitas pessoas acreditam nisso.
Mas quantas pessoas sabem disso?
Quantas pessoas sabem o que há dentro delas mesmas?
Como encontrar a verdade em nosso interior quando todos os dias, em todos os momentos, a mídia diz que a solução está no governo, nas pílulas, nas tinturas para cabelo, em um namorado(a), sete quilos a menos e etc?
Existem momentos na vida em que estes pale ativos  deixam de funcionar, e tudo o que importa é ser compreendido. São aqueles momentos de angústia na qual o ser humano sente-se  isolado do planeta com seus sentimentos dúvidas e carências, um legitimo sentimento de desamparo. 
E o que fazer então?
Procurar dentro de nós mesmos a força.
Por mais paradoxal que seja, experimente nestas horas dar o que você mais precisa."amar que ser amado, compreender que ser compreendido, pois é dando que se recebe". Recebe mesmo, mas de você. Pois dar compreensão quando esperava ser compreendido, faz de você uma pessoa repleta.onde imperava o vazio. Procure dentro no seu interior o canal para acessar a força superior e doe. Imediatamente você passará e se encher de vida e riqueza.
O ser humano, como tudo o que existe sobre a terra, é feito de polaridades complementares, como também apregoava o velho Jung. Nos momentos de fraqueza aparente, existe também a força escondida dentro de nós.

A saída está do outro lado...
São Francisco sabia algumas verdades...