sábado, 24 de julho de 2010

Sonhos 2

Desculpem a demora, mas antes tarde do que nunca, voltarei a falar um pouco e respeito dos sonhos.
didaticamente, podemos entender que existem 3 tipos de sonhos, o que facilita o seu entendimento.
Existem sonhos que se resumem a resquícios da vida em vigília, da nossa vida diurna. Coisas das quais não conseguimos nos desligar, como contas para pagar, provas, notícias ruins, uma viagem muito legal e etc. Não há muito o que interpretar.
Um outro tipo diz respeito basicamente aos nossos processos psíquicos individuais, são mensagens enviadas de nós para nós mesmos, do inconsciente para o consciente a respeito de sentimentos e processos profundos muitas vezes desconhecidos ou propositalmente ignorados. Podem também funcionar como verdadeiros bálsamos curativos, realizando em um outro plano desejos e necessidades psicológicas que não estão sendo supridas no dia a dia. Uma pessoa carente de amor ,por exemplo, pode sonhar que recebe um abraço da natureza, de uma pessoa desconhecida ou algo parecido.
As duas primeiras categorias tem em comum o fato de serem fruto quase exclusivo da nossa psique individual.
E temos também aqueles sonhos que assim por bem dizer, não são apenas fruto da nossa psique, são mensagens captadas de uma outra outra esfera, o inconsciente coletivo, que podem trazer em sonhos fenômenos como premonições, conhecimento de fatos que ocorrem enquanto estamos dormindo, mensagens recebidas de um ente falecido e etc.
Obviamente nem todos acreditam que este terceiro estágio possa de fato ocorrer, preferindo ficar apenas com os dois primeiros casos. O que ao meu ver restringe bastante a compreensão deste fenômeno tão rico. Observar o sonho em várias esferas, nos mostra o quanto podemos ser únicos e ao mesmo tempo em que fazemos parte de um todo.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sonhos

"Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro acorda"
C. G. Jung
Esta é uma das frases mais famosas de Jung, e o assunto sonho possui vários desdobramentos, dos mais práticos aos mais filosóficos. É um dos mais fantásticos e intrigantes fenómenos psíquicos, e sem dúvida alguma a principal via de comunicação entre o inconsciente e o consciente, daí vem o seu encanto. Como muitas pessoas adoram saber coisas a respeito dos sonhos, este será a primeira de algumas portagens sobre o assunto.
O sonho é vida.
Muitas vezes pode parecer que tudo está parado na vida. A pessoa sente que nada acontece, nada anda. Mas muitas vezes, uma vida consciente parada pode ocultar uma imensa atividade psicológica. O que nos indica este processo é o que ocorre quando estamos dormindo. Nossos sonhos podem revelar toda uma gama de sentimentos e aprendizados intensos que adquirimos com as vivências da vigília, que são finalmente assimiladas no inconsciente e demonstradas durante o sono. Os sonhos mais do que simplesmente trazerem à tona o que ocorre conosco internamente, são uma rica fonte de alimento psicológico e espiritual, quando o afeto e a esperança não estão tão abundantes. Durante os sono nossa energia física e espiritual pode ser recarregada, nos fornecendo algum suprimento para os momentos em que enfrentamos travessias no deserto.
Por isso procure lembrar dos seus sonhos. É mais fácil do que você imagina.
Todas as noites, quando estiver quase adormecendo, diga para você mesmo "Eu quero lembrar dos meus sonhos quando acordar" No inicio provavelmente você lembrará de alguns fragmentos, não os despreze, dê atenção a eles e os anote assim que acordar, isso é muito importante. Aos poucos verá que consegue lembrar de pedaços cada vez maiores, até que enfim lembrá de um ou mais sonhos inteiros.
Tenha sempre ao lado da cama um caderninho em espiral já aberto em uma folha em branco e uma caneta com a qual você possa escrever mesmo deitado. Na maior parte das vezes os sonhos podem se perder assim que começamos as tarefas do dia.
Depois eu explico melhor como isso acontece.
Bons sonhos.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Ser humano sem sombra é ser humano sem luz

A palavra sombra nos assusta. Eu compreendo. Mas negá-la é como não querer admitir a própria natureza humana. Por este motivo, o estudo da sombra está dentre as observações mais relevantes de Jung a respeito da psique, a alma. A sombra para Jung é muito mais que um mero aglomerado de conteúdos indesejáveis, é o oposto complementar da luz, que só adquire sentido quando se conhece o escuro. Jung só foi capaz de perceber a realidade da sombra porque pensou o ser humano como possuidor de luz e transcendência.
E embora a sombra guarde conteúdos indesejáveis, conhecê-la e assimilá-la é vital. Quando pararmos com a infrutífera tarefa de fugir dela a todo custo, talvez possamos vê-la não mais como perseguidora, mas como uma companheira na nossa caminhada, que tem muito a nos mostrar sobre nós mesmos. E quando lhe damos ouvidos, nos damos a oportunidade de transformar o que precisa ser transformado, e deixamos de sabotar nosso próprio destino.
Mesmo que não queiramos olhá-la, a sombra está e estará sempre lá. Ainda bem! Pois ser humano sem sombra é ser humano sem luz. No mundo dos espíritos que habitam o planeta, corpos só não projetam sombra se estiverem em completa escuridão.
Assim na terra como na psique...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Uva não tem caroço, manga não tem fiapo e gente não tem problemas.

Hoje eu estava tentando fazer meu filho experimentar um tipo diferente de uva, ele, reticente, disse que só comia se fosse sem caroço. Imediatamente me lembrei das uvas da minha infância e todas tinham caroço, e nem por isso me pareciam menos gostosas que hoje em dia, assim como as fiapentas Mangas Carlotinhas que eu tirava diretamente do pé e enchiam os meus dentes de fiapo, o que incentivava o uso do fio dental. Dava trabalho sim, mas e daí? Era aproveitar a vida e a natureza com tudo o seu sabor, sabendo lidar com o que vinha junto. Afinal de contas, uma das coisas mais belas nas frutas é o fato de conterem sementes, o que as faz parte de um ciclo completo de morte / renascimento e renovação.
Hoje em dia existem os produtos transgênicos, que não dão sementes, e as frutas são alteradas de tal forma a perderem as suas principais características, importando apenas o consumo em si, sem conexão alguma com a natureza. Já não nos basta não colhermos a fruta do pé, mas sim da gôndola dos supermercados, agora as frutas são semi mortas mesmo, já não carregam dentro de si a vida. Como uma mulher estéril apenas destinada a ser uma gostosona a ser consumida por ávidos olhares masculinos. Ela não pode gerar, pois podem ficar as estrias, e se geram têm medo de amamentar, pois os seios podem cair...
As pessoas não podem mais vivenciar tristezas que as fazem crescer, para isso temos antidepressivos cada vez mais poderosos. E principalmente os relacionamentos tem que ser perfeitos, como em um comercial de televisão ou a capa da revista de fofocas, sendo abandonados no primeiro obstáculo. Afinal de contas, acha-se outro em qualquer esquina mesmo, nas gôndolas das casas noturnas, no consumismo descontrolado dos ficantes de uma noite.
Mas lembrem-se: Uvas sem caroço e mangas sem fiapos costumam ter pouco sabor e também podem estar podres por dentro.

terça-feira, 1 de junho de 2010

A ilusão da imparcialidade.

Existem momentos em que eu gostaria de acreditar que o lugar do psicólogo é o da tão almejada imparcialidade. Seria muito fácil crer que em terapias nas quais nos posicionemos apenas como ouvintes meneando a cabeça de vez em quando ajudassem alguém. Obviamente um psicoterapeuta não está no lugar de dizer ao paciente o que deve ou não ser feito, mas isso é bem diferente de não se colocar de forma mais clara frente a questões que realmente farão diferença na vida de alguém. E isso faz com que a responsabilidade do tratamento, da profissão escolhida se apresente com toda a sua beleza e todos os seus riscos, sem floreios, sem a ilusão, sem aquela peneira da imparcialidade na qual alguns costumam se esconder quando o calor do sol aumenta muito.

Como dizia o velho Jung, o relacionamento de duas psiques, de dois seres humanos, é o que move a terapia.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Mães suportam não serem amadas sempre.

Como derradeira postagem do mês de maio ainda dedicada as mães, quero lembrar que um dos maiores exercícios de ser mãe é agüentar não ser amada. Sim, porque mãe que é mãe de verdade e ama o seu filho tem que agüentar não ser amada.
Quase todo mundo que tem filhos já ouviu um sonoro “EU TE ODEIO!” ou “VOCÊ É A PIOR MAE DO MUNDO!” e a lista é longa...
Mãe que é mãe protege de algo que o filho não vê. Mãe que é mãe diz não corrige e dá limites.
Mãe que é mãe suporta não ser amada por puro ato de amor. E depois diz a famosa frase que nenhum filho que ainda não tem filhos entende: “Doeu mais em mim do que em você.”
É verdade...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O “kit” mãe.

Algumas mães não percebem, mas quando os filhos nascem, levamos para casa não apenas a criança, mas existe todo um pacote de bônus interativo e brindes que jamais imaginaríamos. É uma verdadeira compra casada.
Neste kit vem a culpa. De inicio a mãe não sabe para que serve, nem vê. Mas no primeiro choro não sanado e ou fralda não trocada, irá usá-la.
A grande maioria das mães quer ser uma mãe perfeita, melhor do que a que ela teve. E é claro, como nenhum ser humano é perfeito, e até onde eu sei todas as mães são humanas, o resultado da equação é que não existe mãe perfeita. QUE BOM! Isso mesmo. Alegrem-se e consolem-se amigas.
Na postagem passada estava falando do pensamento de Winnicott, a respeito da mãe ideal ser a suficientemente boa.
É o seguinte: mãe ideal não é aquela que nunca deixa furo, pois assim a criança não tem espaço para crescer. A mãe ideal é aquela que em sua humanidade, mesmo querendo fazer o melhor comete erros, pois estas são as grandes oportunidades que a criança tem de se virar e crescer.
Esta frase tem salvado muitas mães da auto-condenação eterna. Espero que também lhe seja útil cara leitora.
E feliz dia das mães.