sexta-feira, 24 de maio de 2013

Términos de relacionamento. " Devolvendo-se a si mesmo"

É muito comum que as pessoas batam nas portas dos consultórios de psicologia em busca do alívio da dor de um término de relacionamento amoroso.
Dentre tantas mazelas que afligem a humanidade, os relacionamentos amorosos. Mesmo parecendo pouca coisa frente as catástrofes naturais, guerras, fome, doenças e etc, a dor do rompimento é das mais profundas. A pessoa se sente sozinha desorientada abandonada, destituída de tudo o que a fazia crer-se forte, se desconhece perante tamanha fraqueza, e se envergonha por estar sofrendo tanto assim apenas por um término de relacionamento.
Este é um dos casos em que vale o ditado "Quanto mais alto maior é a queda". Sim é verdade. Investir seriamente em um relacionamento é dar um pedaço de si valioso, é dar sonhos, planos, confiança, corpo, saúde, dinheiro... E quando alguém que amávamos ou pensávamos amar vai embora, parece levar junto tudo isso, fazendo com que a pessoa se sinta vazia.
Não tenho como dizer que há como fugir da dor, realmente é uma dor que precisa ser vivida e superada, mas em certa altura deve começar a reaver seus bens se quiser seguir em frente. Você pode reaver o que lhe pertence para ser  inteiro novamente. Ninguém pode terminar com os seus sonhos, com seus planos, pois se um dia você os deu foi porque brotaram espontaneamente de dentro do seu ser, do seu contato com algo belo, que pode voltar a brilhar, porque a fonte continua aí. Quando você perceber que só levam o que você permite ser levado, retornará ao seu centro, e poderá ser inteiro novamente, e reunir recriar tudo ainda melhor. 
Pegue de volta o que é seu, você mesmo.


domingo, 14 de abril de 2013

Certos casos: Linhas e Correntes

Certo dia uma pessoa me ligou querendo marcar uma consulta e me perguntou qual era o andar do meu consultório. Respondi que correspondia ao nono andar, ao que ela respondeu aliviada: Dá para chegar de escada. Percebi que provavelmente um de seus problemas era medo de  elevador.
No  dia da consulta, relatou que este medo já durava seis anos, e que a terapia que fazia há cinco  anos não estava adiantando  muito, e por isso aceitou uma indicação de uma ex paciente minha. 
Depois de ouvi-la por 50  minutos  avisei que a sessão estava terminando, e me ofereci, caso fosse da sua vontade, poderia acompanhá-la no elevador, neste ou em outro dia, assim poderíamos usar o elevador como  um coadjuvante ao  tratamento de psicologia analítica. Para minha surpresa ela me olhou com espanto no  fundo  dos meus olhos  e  me perguntou? Você faria mesmo isso? Com mais  espanto respondi: Claro que  sim. E ela disse: Pedi tanto  para a minha outra  psicóloga  fazer isso comigo, mas ela disse que na corrente que seguia não era permitido sair do consultório com o  paciente. Achei que todos eram assim também.
Entendi que segundo o pensamento te´rico seguido pela minha colega desconhecida, seria uma espécie de heresia macular a prática terapêutica com uma prática que pertencia a outra linha, a cognitivo comportamental. Esta também não  é a minha linha,  mas linhas não são  correntes, e o que me encantou em Jung desde os tempos de  faculdade foi a postura de que em primeiro  lugar vem a pessoa e não  a teoria, e que deveríamos estudar muito para "esquecer tudo" no momento em que estivéssemos  diante de um ser humano. Ele costumava dizer que teoria são como correntes. De fato pesam e dão poucas opções, aprisionam e restringem, e funcionam como âncoras para quem tem medo  de ousar ir além.
Já uma linha segue de guia, não pesa, e serve para costurar feridas preparando os seres humanos para ir  em frente.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013


Amigos e colegas de trabalho, envio para vocês o link do documentário A FACE OCULTA DAS DROGAS, (feito por mim e por Ricardo sem fins lucrativos), no qual seis pessoas contam como o encontro com a espiritualidade lhes deu força para superarem a dependência do álcool e das drogas.
Peço a ajuda de vocês para divulgarem o trabalho para que possa chegar ao maior número de pessoas possível que estejam precisando encontrar uma saída para a dependência e também como instrumento de prevenção.

Grata a todos

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O que todo mundo faz

Existem algumas frases que soam como um alarme, algumas delas são: "Mas o que é que tem, afinal de contas Todo mundo faz isso...", "Todos os homens (mulheres) são iguais", "Todo mundo trai", "Todo mundo só quer se dar bem" e etc. Quando escuto isso imediatamente pergunto "Todo mundo? Tem certeza?"
Não sou muito fã das generalizações no que diz respeito ao comportamento emocional, psicológico e espiritual das pessoas. Somos realmente muito parecidos em muitas coisas, mas cada um tem a sua maneira de estar no mundo, e as generalizações deste tipo na verdade tem como base amargura, rancor, desesperança, arrogância e justificativa para os próprios erros, pois "se todo mundo faz, eu vou fazer também".
Cada vez que uma pessoa faz tal afirmações para os outros e para si mesma, está se colocando em um beco sem saída, pois as generalizações não apresentam alternativas. E assim o ser humano se afasta da sua essência, do processo de individuação, do si mesmo (self). Se afasta da oportunidade de avaliar os próprios valores e atitudes, de se transformar em alguém melhor ao invés de deixar-se ser arrastado pelo pensamento massificado e burro que o faz afundar-se cada vez mais.
Não importa o que "todo mundo faz e sim o que você faz" já diziam nossos pais. Se nós mesmos não trairmos, não nos drogarmos e não roubarmos, não diremos mais "todo mundo faz", pois já seremos a própria exceção e poderemos nos aproximar daqueles que fazem as coisas de um modo melhor.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Aonde mora o sagrado? Reflexões a respeito dos filmes "As aventuras de Pi" e "O Impossível".

Longe de mim querer estragar surpresa contando fim de filme, portanto, se você não viu um destes filmes, veja e leia depois. Os dois valem a pena.
Mas se você é como eu, que ouve o fim do filme e assim mesmo vai ver, pode continuar lendo.
Estes dois filmes falam a respeito de uma das mais respeitosas e misteriosas forças a serviço da natureza: o mar. O mesmo mar que acalenta nossos desejos de férias paradisíacas pode se tornar implacável e avassalador. É assim com tudo o que há no mundo, tanto na natureza quanto na natureza humana, tudo o que existe neste mundo têm duas faces. No caso do mar, quando a sua força se manifesta nada pode impedi-lo, a maior das tecnologias é posta a rolar sob as ondas, e ele vai onde quer e como quer, levando o que quer. Nessas horas diante de tanto desamparo, a arrogância do homem só pode contar com a sorte.
Mas o que é sorte? Bem, para quem acredita apenas no mundo material, a sorte é um acaso, e só. Para quem tem consigo a certeza da existência do sagrado, a sorte é uma intervenção causal de uma força maior.
Nos dois filmes, os personagens se vêm a mercê das forças do mar. Em as aventuras de Pi, o jovem após um naufrágio permanece dias e dias a deriva na companhia insólita de um tigre, animal de natureza feroz e indomável, assim como o próprio mar. Pensei que ia apenas ver um filme de aventura com meus filhos, sem grandes implicações profundas. Mas para a minha surpresa, o filme em essência fala a respeito de coragem e confiança em Deus. Quando o filme começa u escritor vai procura Pi pois lhe disseram que a história que ele tem para contar o fará acreditar em Deus. E o jovem personagem já começa trazendo para si a ligação com o sagrado em diversas formas, procurando entender Deus, e é como se ele passasse por tudo para conhecer de fato este Deus, que só é realmente reconhecido após uma tempestade na vida das pessoas.
Durante todo o filme, o bote é habitado por Pi, O tigre, e Deus. E no final, após muitos momentos de dúvida e fúria contra Deus, e outros de reconhecimento e gratidão, ao invés de achar-se esquecido e injustiçado, Pi tem certeza da existência de Deus apesar de compreendê-lo por inteiro, posto que isso não é possível para o ser humano.
 Pi perde toda a sua família, e sai com a certeza da existência de Deus.
Já no segundo filme, O Impossível, já fui com a expectativa de encontrar o que encontrei em As Aventuras de Pi, pois já sabia que se tratava da história de uma família - pai, mãe e 3 crianças - que apesar de terem sido tragados pelo   tsunami e atravessado todas as situações acarretadas por uma catástrofe daquela magnitude,  sobreviveram e se encontrara. É  uma história real, onde o próprio título já expressa a impossibilidade de algo assim ter um final feliz, mas aconteceu. 
Toda a família se reúne e mesmo assim, tudo se passa sem que em momento algum alguém  faça uma referencia ou mesmo suponha a existência uma força superior que os tivesse guarnecido apesar de ser impossível... Aquilo que costumamos chamar de milagre, quando o impossível se torna possível. Mesmo assim, muitos preferem chamar isso de sorte. Mas o que é a sorte?
O Sagrado na verdade está em todos os lugares, e em alguns momentos se apresenta com toda a sua força,mas a percepção do sagrado só pode morar nas mentes despertas para algo além do que os olhos materiais podem ver, mesmo que seja um tsunami.
Mas mesmo assim, para quem ainda não buscar o sagrado, as lições de superação são válidas em ambos os filmes.

sábado, 12 de janeiro de 2013

O relógio adiantado

É interessante como pequenas coisas do dia a dia nos dizem tanto a respeito da forma como atuamos na vida. Uma delas é um hábito comum para muitas pessoas: adiantar o próprio relógio em 5 minutos.
Quando perguntamos o que leva a esta prática, a pessoa de pronto responde que assim não se atrasa.
Mas o que mais acaba acontecendo é que justo por saber que o relógio está adiantado a pessoa se atrasa mais ainda, pois sempre tem aqueles 5 minutinho a mais...
Parece ser mais fácil, mas não resolve, porque no fundo sabemos muito bem que estamos sendo enganados por nós mesmos. Mas parece mais fácil ser um pouquinho enganado, só para poder continuar se atrasando um pouquinho. Afinal de contas é difícil assumir que existem coisas que precisamos melhorar em nós mesmos em diversos níveis tomando decisões mais acertadas para ser de fato  pontual, se adequando ao Tempo ao invés de tentar adequar o Tempo e a Vida ao nosso arraigado jeitinho de estar no mundo.